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Qual fck pedir para cada elemento da obra

Pedir «concreto para uma laje» obriga a usina a ligar de volta, e é aí que se perde o dia. A resistência é o dado que define a mistura, e no Brasil se escreve de um jeito só: fck 25.

5 min de leitura · Atualizado em 25 de agosto de 2026

Estrutura em construção com os pilares e as vigas à vista, antes de fechar as paredes

Como se pede no Brasil

A resistência é quanta carga o concreto aguenta aos 28 dias, e aqui se mede em MPa. Uma mistura corrente de obra se pede como fck 25 — o «f» é de característico, e é o valor que a norma exige que o corpo de prova alcance.

Vale saber que nem todo país usa a mesma escala. A mesma mistura tem nome diferente conforme onde se compra, e um número de uma escala lido na outra dá resultado absurdo — pedir «250» onde se trabalha em MPa seria pedir algo que não existe. Se o projeto vier de fora, confirme em que unidade está antes de encomendar qualquer coisa.

O número sozinho não basta: pede-se junto com o abatimento, que é o que decide se a mistura dá para bombear ou se vai de carrinho e vibrador. Duas misturas de mesma resistência e abatimento diferente não custam o mesmo nem se aplicam igual.

O que vai em cada elemento

Isto é o que se usa em obra corrente. Uma estrutura calculada tem a sua própria especificação e manda sobre qualquer tabela: se o projeto diz um valor, é esse que vai.

OndeO que se costuma usarPor quê
Contrapiso, lastroA mais baixa do catálogoNão recebe carga estrutural
Calçada, quintal, pisoBaixa ou médiaAguenta passagem e clima, não estrutura
Laje de residênciaMédia — a correnteÉ o uso mais comum
Pilares e vigasMédia ou altaConcentram a carga do prédio
Sapatas e fundaçõesMédia ou altaToda a carga desce por ali
Muro de arrimoAltaEmpuxo do terreno, e costuma ficar úmido
Piso industrialAltaCarga rolante e desgaste contínuo

Subir um degrau de resistência encarece o m³ bem menos do que custa demolir e concretar de novo. Quando há dúvida razoável entre dois valores, o de cima quase sempre sai mais barato no fim.

Os três erros que chegam à usina

  • Pedir só «concreto». Sem resistência não há mistura para preparar, e o orçamento fica esperando um telefonema.
  • Confundir a escala. Um número copiado de um projeto de outro país, lido na unidade errada, pede algo que não existe.
  • Esquecer o abatimento. Pede-se a resistência certa e chega uma mistura que não dá para bombear, com a bomba já na obra cobrando.

O que muda no preço

Entre uma resistência baixa e uma alta há diferença de preço, mas é menor do que se supõe: o que mais mexe no valor de um orçamento é o volume, o município da obra e se é preciso bomba.

De referência, o m³ de uma mistura corrente no Brasil gira em torno de R$ 430,00 antes do ISS. Sobre esse número, trocar de resistência mexe muito menos do que trocar de região de entrega.

Orce na obra, não no escritório

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Perguntas frequentes

Como se pede a resistência no Brasil?

Em MPa, escrita como fck 25. Pede-se junto com o abatimento, que define se a mistura dá para bombear.

Qual fck vai numa laje de residência?

O médio do catálogo, que é o de uso mais corrente. Se o projeto está calculado, vale o que o projeto disser acima de qualquer tabela.

E numa sapata ou num muro de arrimo?

Médio ou alto nas sapatas, alto nos muros de arrimo: é por ali que desce toda a carga, e o muro ainda trabalha com empuxo de terreno e umidade.

Vale a pena subir de resistência?

Subir um degrau encarece o m³ muito menos do que demolir e concretar de novo. Diante de uma dúvida razoável entre dois valores, o de cima costuma sair mais barato no fim.

Posso usar um número de um projeto de outro país?

Não sem confirmar a unidade. As escalas não coincidem entre países, e um número lido na escala errada pede uma mistura que não existe.