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Preço do concreto por município: como montar a sua tabela

Quase nenhuma usina cobra o frete à parte: o preço do m³ já vem com a entrega dentro, e é assim que o cliente pede. O trabalho está em decidir quantas faixas fazer e quanto sobe cada uma sem perder dinheiro na ponta.

7 min de leitura · Atualizado em 25 de agosto de 2026

Obra grande com caminhões betoneira e bomba lança, e a cidade se estendendo até as montanhas ao fundo

Por que a região e não os quilômetros

Cobrar por quilômetro parece mais justo e na prática não funciona: obriga a medir cada obra antes de dar preço, e o cliente que liga da obra quer um número agora, não depois de você abrir o mapa.

Por isso as tabelas reais vão por município. Um nome que o cliente já sabe dizer, um preço por m³, e o orçamento sai na hora.

A conta que importa não é a distância: é o tempo de ciclo. Um caminhão betoneira que leva 40 minutos para ir e 40 para voltar faz metade das viagens por turno que um que leva 15. O que você está cobrando é o turno do caminhão, não os quilômetros.

Quantas faixas fazer

Três ou quatro. Menos, e a faixa mais distante fica subsidiando a mais próxima ou espantando o cliente de perto. Mais, e ninguém na equipe lembra em qual delas está cada bairro — e o vendedor acaba chutando.

FaixaO que entraSobre o preço base
PertoOnde a usina fica, e o que faz fronteirapreço base
MédiaDuas ou três voltas de trânsito comum+4% a +8%
LongeSaída da cidade, rodovia, subida+10% a +18%
Fora de áreaTudo o maisorçamento caso a caso

«Fora de área» não é uma faixa a menos: é a que evita a pior cotação, a que o vendedor inventa porque não achou o município na lista.

A conta, com números

Suponha o m³ a R$ 430,00 sem ISS na faixa mais próxima. Uma obra de 40 m³ em cada faixa fica assim:

FaixaPreço por m³40 m³
PertoR$ 430,00R$ 17.200,00
Média (+6%)R$ 455,80R$ 18.232,00
Longe (+14%)R$ 490,20R$ 19.608,00

A diferença entre a primeira linha e a última é R$ 2.408,00 num pedido só. Não é detalhe: é o que paga o diesel, o motorista e o turno que esse caminhão não usou em outra entrega.

O que a faixa NÃO resolve

A faixa cobre o percurso. Não cobre três coisas que se cobram à parte porque não dependem de onde fica a obra:

  • A viagem incompleta. Se o pedido não fecha o mínimo do caminhão betoneira, o caminhão faz o mesmo percurso levando 3 m³ ou levando 8. É o frete morto, e vai em linha separada.
  • A espera na obra. Se a fôrma não está pronta, o caminhão fica parado e o turno se perde igual. Diga quantos minutos estão incluídos.
  • O bombeamento. É outro equipamento e outro operador. Levar a bomba longe também custa mais, então ela também tem preço por região.

Quando revisar a tabela

Quando subir o cimento ou o diesel, e quando a cidade mudar. Um bairro que ganhou avenida nova pode ter saído da faixa cara sem que ninguém perceba, e você está cobrando um percurso que já não existe.

O sinal de que a tabela envelheceu costuma ser este: os vendedores «ajustam» o preço na mão com frequência. Cada ajuste na mão é uma linha da tabela que já não descreve a realidade.

Orce na obra, não no escritório

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Perguntas frequentes

O frete do concreto se cobra à parte?

Quase nunca. O normal é que o preço do m³ já venha com a entrega dentro e mude conforme a região da obra, que é como o cliente pede.

Quantas faixas de preço convém ter?

Três ou quatro, mais uma de «fora de área». Com menos, a faixa distante fica subsidiada; com mais, ninguém lembra em qual está cada bairro.

Quanto sobe o preço na faixa mais distante?

Entre 10% e 18% sobre o preço base é o usual. Sobre R$ 430,00 por m³, são R$ 60,20 a mais em cada metro cúbico.

E se a obra não estiver em nenhuma faixa?

Vai como «fora de área» e se orça caso a caso. É melhor do que deixar o vendedor inventar um preço na hora, que é o que acontece quando essa linha não existe.